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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O Último Solilóquio (ou: "Pra cada fim tem algo tipo um recomeço")


Buenas a vocês que visitam este Blog diariamente mesmo que aqui não tenha atualização nunca (ou aos que nunca mais visitaram. Eu mesmo mal apareço por aqui).
Na verdade, estou bem ciente que talvez essa postagem nem seja lida por ninguém, mas havendo um merchandising envolvido no texto, já vale o tempo de digitação pela mera possibilidade de “Um” view.

Em virtude das comemorações de 365 dias sem postagens no Blog do Ibaldo, e tendo em vista um comentário mal interpretado de que o Blog não pararia, quando eu afirmei que “o Blog não vai parar”, há um ano, venho mais do que justificar a ausência, anunciar algo.

Pois, então.
Este Blog vai parar por completo.


Nos meus devaneios, percebi que a situação tava tão bagunçada por aqui (apesar de divertida), que o melhor era migrar os assuntos pra locais específicos.
Portanto, conforme a esfera terrestre bem sabe, decidi no fim de 2012 que criaria um novo Blog, no qual seriam depositados os textos sobre cinema, quadrinhos, e etcs.
E foi assim que surgiu em parceria com o terráqueo Fernando Rodrigues o surpreendentemente bem-sucedido SatéliteVertebral, com suas postagens novas diariamente, e uma equipe de tripulantes de nerdismo altamente qualificado.
Então mantenham a página do Satélite sempre aberta, e administrem o F5 de maneira nervosa.

O Blog do Ibaldo permanecerá existindo em caráter vegetativo pra fins de registro desses quatro anos de postagens semanais no modo single player, e que foram legais não só por poder “conversar” sobre os filmes que povoam meus dias, mas também pelo feedback ao constatar que o alcance pra além do meu grupo de amigos estava sendo realmente efetivo.
Enquanto isso, os desenhismos e atividades correlacionadas terão outro paradeiro.



Apresento-vos o idade200.blogspot.com



Esse, a partir de agora vai ser meu blog, atualizado com HQs, charges, tiras, ilustras, informes sobre oficinas, palestras, projetos, e com uma abordagem mais pessoal do que é o padrão no SatéliteVertebral.
Vou tentar mantê-lo atualizado frequentemente, e no momento já tem algo que conferir nele, então, favor CLICAR AQUI.


E sendo a última postagem que este blog vai ver, deixo meu muito obrigado a todos que visitaram, comentaram, debocharam do meu modo de escrever, elogiaram apesar de terem considerado meus textos longos em demasia, reclamaram pelas cotações em ingressos que não fizeram jus às suas impressões após assistir um filme, e que concordaram ou discordaram da minha opinião, tenham lido um texto na íntegra ou não.
Agora os rumos são outros, mas até aqui foi muito massa.
Valeu.



Marcel Ibaldo



domingo, 23 de dezembro de 2012

NOTÍCIAS DO FRONT - Os finalmentes de 2012 trazendo mudanças notórias e tal


Pois entoncés.
O Blog já não é mais o mesmo, mesmo.
Eu converso direto com os amigos e conhecidos da web que leem o que eu escrevo aqui, e umas perguntas sempre reaparecem, do tipo "do que que é esse blog afinal?".
Bueno.
A resposta é só uma:
Eu não sei.
Mas tenho trabalhado nisso.



De todo modo, ainda que eu pense "esse é o blog de um quadrinhista. Tinha que ter um monte de quadrinhos", eu não sou de criar um monte de charges ou tiras, o que permitiria atualizar mais rápido.

Eu curto trabalhar com HQs mais longas, o que tornaria bem mais chata a espera entre uma postagem e outra.
E eu curto escrever sobre cinema. Curto mesmo.
Então, os papos sobre filmes foram uma alternativa legal pra que nesses mais de quatro anos de funcionamento do blog (até que é bastante, eu acho) eu conseguisse na maior parte desse tempo ao menos uma atualização por semana.

Mas na real, não era bem isso que tinha que ser o blog.
Quando o cartunista Bício torrou minha paciência pra eu criar um blog, e blábláblá, eu não sabia sobre o que ele deveria ser. Ainda não sei, mas amadureci umas ideias pra perceber que o que eu venho escrevendo aqui poderia ser lido em outro link, o qual não leve necessariamente o meu nome.
Assim sendo, decidi que pra 2013 os textos sobre cinema (que tem gente que diz que curte, e até diz que lê na íntegra. Sério) não mais serão publicados por aqui.
É.


Por isso, decidi criar um novo blog pra que não fique essa situação de eu mencionar sobre meu blog pessoal, e o pessoal quadrinhista demorar pra encontrar quadrinhos nele. Pelo menos é a ideia de momento.

Por isso, surgiu isso de criar o Satélite Vertebral. Simples assim.








Pra esse intento, convidei alguém mais nerd que eu, e que deve ser a pessoa que mais tem blogs nerds na web, Fernando Rodrigues, pra colaborar nesse projeto, que já tá em fase de teste há uma semana e pouco (um dos blogs do Fernando, aliás, é esse:
Pois bem. 
Só que o SATÉLITE VERTEBRAL é meio território livre. O Fernando escreve sobre o assunto que lhe interessar e eu tenho liberdade pro mesmo. Claro, tende a haver nerdismo.
Então, de momento eu convido vocês a direcionarem suas atenções pro SATÉLITE VERTEBRAL, porque se aqui eu conseguia uma fração mínima de abrangência de assuntos geeks, espero que por lá possa ser mais legal e com mais posts.

As características permanecem, com o ingressômetro, e papos nonsense a respeito de quadrinhos, cinema, música, séries, etc e tal, só que vai ter mais underground, gore, somado ao que já se via por aqui falando sobre as produções de Hollywood em um cinema perto de sua casa.


É isso, me parece.
Meu muito obrigado pra quem veio ler sobre cinema e HQs por aqui nesse tempo todo.

Espero que o marcador de visualizações não diminua tão bruscamente, mas é certo que as coisas serão bem diferentes, ainda que eu faça questão de lembrar: esse Blog não vai morrer nem nada, só que vai ter um foco diferente, e quem sabe demore mais pra ser atualizado, mas vou tentar que ele seja interessante nesse novo direcionamento.
Então, aguardemos.



Obs.: As imagens ilustrando esse post são dos seis textos sobre filmes que foram mais visitados aqui no Blog. Foram números expressivos de visualização, ao meu ver, então gracias. 
Só pra constar, as estatísticas desses seis está abaixo:

HOMEM DE FERRO - 8536 visualizações
X-MEN 2 - 4020 visualizações
X-MEN ORIGENS: WOLVERINE - 2315 visualizações
(500) DIAS COM ELA - 1682 visualizações
HOMEM-ARANHA 2 - 1625 visualizações
HOMEM-ARANHA 3 - 1611 visualizações

A propósito, já está lá no SATÉLITE VERTEBRAL o meu primeiro review de cinema.
Então, de momento é isso.
Novamente, muito obrigado por todo esse tempo e até breve.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

AGUARDEMOS - Pacific Rim (Trailer)





Enfim, Guillermo Del Toro e seu filme repleto de monstros gigantes, robôs idem e orçamanto capaz de tornar isso realidade e crível em uma das maiores promessas do entretenimento cinematográfico para 2013.




E se for pelo trailer sombrio e climático, é bem possível que ele consiga superar o rótulo de "Evangelion made in USA".
Previsão de estreia: 12 de julho de 2013 nos EUA, e 9 de agosto no Brasil.

Lógico, aguardemos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

AGUARDEMOS - Superman: O Homem de Aço (Trailer 2)



Eis abaixo:

Dizem os sábios pelos reinos da internet, que este trailer é o que há de ser exibido antes de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada.
Quanto ao vídeo, o que mais eu posso dizer?
Tá caprichado e promissor esse tal filme.
O resto é especulação e torcida de que seja capaz de sobrepujar a comparação com um dos melhores filmes de HQs de todos os tempos: Superman O Filme, de 1978.
E quem quiser assistir o primeiro teaser desse novo filme do Superman, é só CLICAR AQUI.
Resta aguardar, entoncés, aguardemos.


Lembrando que tendo direção do Zack Snyder, produção do Christopher Nolan, e dessa vez protagonizado pelo Henry Cavill, o filme estreia em 14 de julho de 2013.

E agora, seguir com a (re)leitura de O Hobbit.
Até.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AGUARDEMOS - Star Trek: Além da Escuridão (Teaser Legendado)

Todo mundo xinga os remakes, continuações, prequels, etc.
Eu também xingo valendo.



Mas quando surge algo que preste, deve sim receber o devido enaltecimento nerd pra servir de exemplo pra cada produtor que diz que Michael Bay é o Midas do novo século.
Entoncés, eu aproveito que vou elogiar este novo cinepisódio da cinessérie Star Trek pra destilar um preâmbulo breve acerca de um argumento quase nada.
Pois, coincidentemente, tanto este reformulado Star Trek, quanto o reinício da franquia mutante em X-Men: Primeira Classe, e a ascensão símia em Planeta dos Macacos - A Origem possuem aspectos similares, dentre os quais, vale ressaltar a bem-vinda iniciativa de escrever um roteiro (ora essa) antes de decidir filmar o longa-metragem.
Parece simples, mas se fosse não teríamos que presenciar o não-cinema de Motoqueiro Fantasma, Lanterna Verde, ou Conan: O Bárbaro from Hawaii (título improvisado pra diferenciar do clássico estrelado pelo Arnold Scwarzenegger).
Some-se a isso a possibilidade de gravar a sequência com um hiato maior entre o lançamento do primeiro e segundo filmes, evitando os atropelos que nos brindaram com pérolas do porte de Transfomers: A Vingança dos Derrotados.

Assim sendo, encerro esta missiva, a qual serve apenas para que você veja o teaser trailer aqui no blog, e não diretamente procurando no youtube.
Assista abaixo:



Star Trek - Além da Escuridão tem novamente direção do J.J. Abrams, o retorno do elenco principal do primeiro filme dirigido pelo cara na franquia, e previsão de estreia pra 17 de maio de 2013.
E a propósito, sobre este novo trekkiemovie? Acho que vai ser um filmaço de sci-fi-action.
Aguardemos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

AS AVENTURAS DE TINTIM (2012)


Pra quem somava tantos altos e baixos, e que não conseguia nem de longe reprisar seus momentos de destaque nos antigamentes, Steven Spielberg necessitava urgentemente aproveitar alguma oportunidade em sua plenitude.
Aliar seus esforços a Peter Jackson, que após a franquia Senhor dos Anéis também não havia encontrado algum novo estrondoso sucesso, era uma ideia interessante e que prometia uma reviravolta nesse quadro incômodo para ambos os cineastas.

A clássica Historia em Quadrinhos criada pelo belga Hergé estava na mira dos dois fazia algum tempo, até que foi oficializado este longa-metragem que seria a primeira de duas partes no cinema, revezando os estilos de direção de ambos os cineastas.
No primeiro filme, era a vez de Spielberg ficar no comando, dirigindo enquanto Peter Jackson ficava na produção executiva.
A técnica escolhida, a captura de movimento, um dos recursos cinematográficos mais exaltados ultimamente, nem assim deixou de gerar controvérsia.
Por que não filmar um live-action, investindo em maquiagem estilosa convertendo os atores nas criações que surgiram nas histórias em quadrinhos, depois fazendo sucesso também nos desenhos animados, assim talvez buscando inspiração no que foi uma das maiores qualidades do
“DickTracy” (1990) dirigido por Warren Beatty?
Spielberg responderia a pergunta da única forma que funciona, e que poderia ser conferida assistindo o filme.

Enquanto a sessão começa, o protagonista é propositalmente “escondido” perante o espectador.
Tintin demora minutos aparentemente intermináveis para ter seu rosto enfim apresentado à plateia, mas quando isso acontece, ninguém tem dúvida de que aquela será uma representação ao menos visualmente digna e fiel do jornalista de topete ruivo.
O jornalista intrépido visto nos quadrinhos encontra na atuação de Jamie Bell (eternamente vinculado ao papel de “Billy Elliot”) algo que o faz ser convincente mesmo com as camadas de ilusão que o filme possui, sendo uma releitura digital, de uma interpretação live-action, de duas historias em quadrinhos do personagem: "O Caranguejo das Tenazes de Ouro" e "O Segredo do Licorne".
Quanto a Spielberg, sua obrigação era manter o interesse inicial de homenagear a HQ de Hergé sempre em segundo plano.
Afinal, ainda que seja compreensível o propósito de um fã, exagerar nesse ponto poderia facilmente resultar em um “Superman Returns” (2006), e não exatamente em um sucesso comercial garantindo o prosseguimento da franquia.


Assim sendo, a trama opta sabiamente em ser movimentada do início ao fim, ainda que sem perder a sintonia com o universo do personagem nas páginas quadrinhísticas.
Mesmo a investigação iniciada com a aquisição da réplica do navio Licorne prossegue sempre frenética, em meio a vilões, perseguições, capangas, tiradas cômicas e novas respostas sendo somadas para levar Tintim sempre em busca de futuras pistas.
O estilo Indiana Jones que faltou a “Indiana Jones, e O Reino da Caveira de Cristal” (2008) é aqui mimetizado beirando a perfeição.

A fórmula de entretenimento do diretor parece enfim ter sido reencontrada, e na despretensão da trama reside o seu ponto forte, ao desenvolver elementos que aparentemente serão fator inofensivo, de modo que ao assistí-los a surpresa não se faça necessariamente pelo que resultará em seu desfecho, e sim pelos vários momentos que irão compor minutos que passarão voando em ação ininterrupta.


Interessante nisso é que, falando assim, As Aventuras de Tintim poderia soar um tanto Michael Bayano, mas a diferença está no enfoque, o qual nesse salutar Sessão da Tarde ganha mais pelo desenvolvimento e interação dos personagens em contextos absurdos do que pelos efeitos especiais e pirotecnia por eles propiciada.
Não fosse tão carismática a maneira com que Tintin, em sua curiosidade quase obsessiva, e o Capitão Haddock (dono de várias das melhores cenas do filme) constroem a camaradagem que irá nortear o futuro de aventureiros que os aguarda, o longa-metragem seria mais um de correrias intermináveis e barulhada propícia pra dormir com fone de ouvido acordando pra ver a reviravolta no final.

E mesmo que a polêmica relacionada ao uso do captura de movimento possa ter se prolongado mesmo após o fim da sessão, isso não desfaz a competência com que a técnica foi empregada, resultante em um visual impecável, que além de tudo funciona trazendo um meio termo entre as cores das HQs, e o que poderia ser encontrado se o filme fosse uma adaptação convencional em live-action.
Além de que, a estilização do visual serve à maior fidelidade com os quadrinhos, não apenas na aparência dos personagens, mas também no diálogo com a origem na mídia impressa e também com a série de desenhos animados.
Claro que a inventividade de Spielberg encontraria formas de utilizar as liberdades do recurso à sua disposição nas sequências de ação, e não são poucas as vezes em que o cineasta acerta completamente em perseguições sensacionais, que ligam cada nova descoberta do protagonista ao próximo anti-clímax para algum plano-sequência eletrizante.


Assim, felizmente, o filme consegue intensidade mesmo nas cenas de ação de final conhecido, tendo nas ideias um fator primordial para a imersão nessa produção aventuresca misturando realismo e estilização.
E além de tudo isso, é imprescindível que eu destine o devido parabéns a Andy Serkis por mais um trabalho irrepreensível que demonstra o seu domínio de interpretação que faz com que cada novo personagem que conte com sua interpretação para a posterior transformação digital seja sempre algo novo e rico em detalhes, seja o King Kong (2005), o Gollum da franquia Senhor dos Anéis, ou César em Planeta dos Macacos: A Origem (2011).
Some-se a isso a presença de coadjuvantes com atuação de Daniel Craig, e a dupla sempre entrosada Simon Pegg e Nick Frost que aproveitam bem seus minutos em cena, para ter uma obra cheia de motivos para ser assistida.


Sem a promessa de revolucionar isso ou aquilo, ou a exigência de abocanhar prêmios no Academy Awards (ainda que o Globo de Ouro de melhor animação não tenha lhe escapado), e alheio à briga entre abordagens diferentes tão corriqueira em se tratando de cinema de HQs, Steven Spielberg realizou um filme de fã, com o esmero técnico inerente à sua filmografia.
E se em outras tentativas sua identidade autoral repleta de imaginação acabou apagada pela megalomania e pretensão, desta vez a qualidade de seu trabalho parece estar presente exatamente no entendimento de o que seu próprio estilo de cinema deveria ser ao contar o início da vertiginosa jornada de Tintim, demonstrando que ele parece ao menos desta vez ter reencontrado a sintonia com o cinema-pipoca o qual ele ajudou a definir em décadas passadas, caracterizado pelo investimento de um ingresso em diversão simples mas não pouco elaborada, pra ser vista na maior tela possível, com o som mais alto possível.
Dessa forma, após o criativo embate final com o vilão, e o gancho para o segundo filme, o diretor não apenas deixa o caminho pronto para Peter Jackson, mas acima de tudo mantém o nível de dificuldade alto.
Um desafio pra Peter Jackson, e um privilégio para a plateia assistir.


Quanto vale: 



As Aventuras de Tintin
(The Adventures of Tintin)
Direção: Steven Spielberg
Duração: 107 minutos 
Ano de produção: 2011
Gênero: Aventura

domingo, 11 de novembro de 2012

NOTÍCIAS DO FRONT: Entrevista no Programa Studio Cultural


Desde tempos imemoriais isso não ocorria, quer dizer, acontece de vez em quando, mas na TV assim, eu não lembro de ter acontecido.
Então, ao mesmo tempo em que foi muito legal essa entrevista para o Programa Studio Cultural, da TV Unifra, falando de historias em quadrinhos, Quadrinhos S.A., e cinema de HQs (o que é bem a minha praia), foi inesperado conferir que meu nome ainda está sujeito a adição de letras.
De todo modo, entrevista legal sobre um tema por demais divertido de prosear, e qualquer equívoco eventual quanto ao meu nome durante o vídeo há de ser esclarecido na imagem abaixo.


Confiram o vídeo abaixo, que de primeira vista capturou minha expressão de atenção, conforme vocês podem notar:



Meus sinceros agradecimentos pelas vossas visitas ao Blog.
Até.

sábado, 3 de novembro de 2012

PODER SEM LIMITES (2012)


Com o passar do tempo, algo ocorre com ideias potencialmente interessantes, especialmente se a replicação da aplicação delas for relativamente simples.
Surgem convenções, aspectos que são característicos, e logo a fórmula torna-se perceptível ao público, de modo que a novidade fica pra trás.

Os filmes de herois estão à beira disso, ainda que alguns consigam desviar desse caminho, sejam o “X-Men: Primeira Classe” (2011) de Matthew Vaughn, “O Cavaleiro das Trevas” de Christopher Nolan, ou “Os Vingadores” (2012) de Joss Whedon.
Mas esse "Poder Sem Limites" vai além da necessidade de realizar um filme de herois interessante, afinal, aqui existe a fusão com outra onda de Hollywood: os filmes com estética homemade.

Neste segmento, as produções rapidamente favoreceram o enfraquecimento da fórmula, ao não adicionar quase nada que a mantivesse interessante em meio ao cenário cinematográfico atual.
Missão do diretor estreante Josh Trank?
Mostrar que o encontro entre essas duas tendências poderia trazer algo que valesse assistir, assim vencendo a concorrência nas bilheterias.


Fora o caso de franquias estabelecidas, seja o estilo fantasmagórico da trama de “Atividade Paranormal”, ou a zumbificação peculiar em “Rec”, a maioria resultou em efeito imediato (ou nem isso), e esquecimento idem.
Até no caso das franquias mencionadas acima, este resultado ocorre, e antes da expectativa, “Poder Sem Limites” vinha acompanhado de desconfiança.

Ainda assim, atendo-se ao filme, é importante dizer que se trata de uma historia de origem, um dos maiores tabus do cinema de HQs, ponto no qual tantos fracassaram.
No trabalho de Josh Trank, aliás, o período de desenvolvimento de personagens, motivações, aquisição de habilidades especiais, e todo o contexto exigido para que seja funcional enquanto obra de entretenimento com o mínimo para ser apreciada pelo público, será construído com o auxílio da tal câmera ligada o tempo todo com o registro dos eventos sob responsabilidade de algum personagem.
O retrato dessa juventude que protagoniza o filme é construída de modo divergente da aura sombria de Batman, ou da quadrinhesca abordagem do Homem-Aranha de Sam Raimi.

De todo modo, a historia ainda parte da sensação de inadequação de um dos personagens, e explora muito bem as consequências dos novos super-poderes na vida de pessoas comuns, tendo um viés que em uma leitura simplista o deixaria muito mais próximo do Kick-Ass (2010) do que da caricatura do herói esperando ser abençoado com a força para fazer a diferença no combate ao crime.
O resultado é interessante, e é realmente inesperado, apesar de realista, que o super-poder não venha somado a um trauma, ou outro aspecto de obrigatoriedade que exija sacrificar noites em claro com uma roupa colante enfrentando criminosos.
E se o poder viesse sozinho? Sem responsabilidades?


A maior parte do filme, aliás, não é a respeito do paralelo entre o herói e o vilão, e a maneira que a tragédia irá encontrar de fazer parte da vida do futuro herói.
Não há necessariamente um propósito de salvar ninguém.
Ser super-qualquer coisa é semelhante a ganhar uma bicicleta nova e ver quem faz mais manobras ou consegue somar mais atitudes imbecis.
Nesse ponto o slogan do longa-metragem parece mesmo impecável, quando ressaltava o fato de que esperar qualquer ato nobre de um adolescente recém elevado ao nível de super-ser não é nada além de ingenuidade inerente a quem leu quadrinhos de heróis em sua forma tradicional, voltada a criar um novo super-vigilante sempre que ocorre um acidente envolvendo resíduos tóxicos, ou explosão em laboratório, etc.


Graças a isso, porém, várias sequências levam o longa-metragem a aparentemente empregar demais das características dos convencionais filmes sobre jovens estudantes estadunidenses, com suas buscas por popularidade, níveis hierárquicos colegiais, etc.
Mas depois de um tempo fica evidente que tais fatores serão de grande importância no trabalho do cineasta, que utiliza as incertezas de Matt (Alex Russell), Andrew (ótima atuação de Dane DeHaan) e Steve (Michael B. Jordan) para que a expectativa se afaste de um típico arrasa-quarteirão em que a primeira hora de diálogos é apenas enrolação para assistir os gastos com CG sendo justificados.
É fato que a ação estará presente, com os corretos efeitos especiais à disposição, e o estilo do diretor trazendo uma imersão maior no que o enredo preparou para que o desfecho pudesse oferecer, em se tratando de pirotecnia. Mesmo assim, é sempre um equívoco esperar de “Poder Sem Limites” uma típica historia de heróis, ou similaridades demais com os quadrinhos super-heroicos em seu padrão mais comum.

O mais adequado seria buscar na narrativa sequencial das páginas impressas do outro lado do mundo um parâmetro para comparação, afinal, o filme não poderia ser mais parecido com nada além da clássica adaptação de HQs para o cinema que atende pelo nome Akira (1988).
Tendo em conta as devidas proporções, é fácil perceber o que o cult longa-metragem de animação do quadrinhista e cineasta Katsuhiro Otomo tem em comum com o roteiro que Josh Trank vai contar em sua obra, sendo que ambas compartilham elementos coincidentes, o que no caso de Poder Sem Limites não é demérito nenhum, afinal, maquiado pelo bom trabalho do diretor, resulta em algo que se não é absolutamente inovador, ao menos demonstra que ele buscou as referências certas para elaborar algo possuidor do “algo mais” que falta à maioria das produções do subgênero “filmagens encontradas”.
Falando em inovação, é de se destacar no filme a inclusão de novos pontos de vista, algo que sempre foi um fator limitador para quem tentava simular as filmagens acidentais de hora e tanto.


Os heróis, vilões, e super-caras não são os mesmos há tempos, seja no cinema, nos quadrinhos, ou qualquer mídia na qual possa ser conferida uma de suas historias.
Através da vida banal de seu trio de protagonistas um olhar diferenciado é lançado por Josh Trank ao que parece tão simples definir como “filme de heróis”, e traz assim um resultado que prima pelo desenvolvimento dos personagens, demonstrando com talento que a caricatura frequentemente vista inclusive nos melhores trabalhos versando a respeito desconsidera na maioria das vezes a possibilidade de representar a geração de leitores e espectadores nas tramas que serão criadas.
Apesar do cinema blockbuster do qual faz parte, Poder Sem Limites surpreende por não se prender às amarras, e ainda que possa parecer um tanto inesperado o comportamento de quem se esperaria logo fosse decidir lutar pela honra e justiça, basta observar com atenção para perceber que isso, antes de gratuitas sequências de inconsequência juvenil, é um pouco de realismo a um tipo de cinema que mesmo quando se diz “realista”, é apenas para tentar convencer o público a achar coerente a imbecilidade de curas milagrosas com um soco nas costas.
O incidente que muda a vida dos protagonistas em “Poder Sem Limites” é o que os direciona para o rito de passagem, e a questão da existência de super-poderes é só mais um elemento, afinal, a crônica de Josh Trank não era sobre heróis, e é essa a sua maior qualidade.


Quanto vale: 



Poder Sem Limites
(Chronicle)
Direção: Josh Trank
Duração: 84 minutos
Ano de produção: 2012
Gênero: Ação / Aventura

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

KEEP DRAWING - 15


Minha charge publicada na edição julho/agosto de 2012, do Jornal Conta Corrente, do Sindicato de Bancários de Santa Maria e Região.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

AGUARDEMOS - Evil Dead (Trailer)


Clássicos não necessitam ser refilmados.

Não importa a desculpa, se é pra estadunidense não cansar a vista com legenda, ou pra revitalizar uma historia para o público de hoje.
Claro que vez ou outra alguma qualidade é adicionada à mistura, mas no geral é plenamente desnecessário.



E bueno, Evil Dead é um clássico.
A franquia  iniciada em 1981 por Sam Raimi (bem mais conhecido do público de hoje por ter dirigido Homem-Aranha, Homem-Aranha 2, e Homem-Aranha 3), ainda permanece indispensável para os apreciadores do cinema trash de horror.
Assim sendo, é apenas pelo fato de o próprio Sam Raimi estar envolvido na produção que existe uma pequena parcela de esperança quanto a esta nova investida no campo do refilmamento com data de estreia para o dia 12 de abril de 2013.
O diretor contratado é o uruguaio Fede Alvarez, que tornou-se notório pelo seu curta-metragem Ataque de Pánico!.
Entoncés, o trailer de seu trabalho buscando reiniciar a franquia pode ser conferido abaixo:




Se eu curti o trailer?
Reconheço que sim, ainda que pareça à primeira vista bastante similar a tantas outras produções, porém nesse caso com sanguinolência em níveis impensáveis para um dia ser exibido antes das duas da madruga, além de apresentar alguns momentos essenciais para quem conhece a obra pregressa de Raimi.
O que eu espero, no entanto, é que não se resuma a isso o que o filme tem a oferecer.

De produções violentas pela mera violência o trash está infestado, e se for pra ser assim, o novo Evil Dead pode acabar sendo mais um entretenimento eficaz momentaneamente, mas rapidamente esquecível.
De qualquer modo, ainda há uma longa espera, então, de momento, aguardemos.