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quarta-feira, 22 de julho de 2009

VALSA COM BASHIR (2008)

Parece até uma receita pronta: filme com técnica de animação moderna, retratando um período ou momento histórico conturbado. Isso geralmente resulta em uma obra digna de nota, e muitas vezes premiada, mas cuja bilheteria não tende a superar a dos blockbusters hollywoodianos esquecíveis, cada vez mais freqüentes nas salas de cinema.
A compensação é a possibilidade de ser mencionado para sempre como “indicado ao Oscar”, ou “vencedor do prêmio em Cannes”, etc.
Mas “Vals Im Bashir” consegue agregar elementos a essa “receita”.
O roteiro acompanha o diretor Ari Folman em uma jornada de reconstrução de sua memória acerca da Guerra do Líbano, na qual ele lutou, e a respeito da qual não consegue lembrar fatos fundamentais. O protagonista começa assim a juntar peças que o auxiliem, através de entrevistas com outros veteranos dessa guerra.
Fazendo uso da técnica de animação denominada rotoscopia (mesma empregada no “Homem Duplo”, de 2006), o efeito obtido se assemelha às vezes a um delírio, cadenciado e chocante, o que pode ser evidenciado na cena inicial, e na seqüência dos soldados próximos à praia. O ritmo é alternado entre as cenas mais dinâmicas, e a fala dos entrevistados com passagens em flashback, mostrando o que se recordam do período em que combateram. Infelizmente, o resultado não é satisfatório ao longo de toda a projeção, especialmente nos momentos mais estáticos, em que a movimentação das pessoas retratadas não se mostra
tão fluída, devolvendo o espectador à sensação de estar vendo apenas uma obra de ficção.

Quanto à história, esse documentário em forma de animação, e a adaptação em quadrinhos do mesmo, recontam episódios pelos quais Folman passou, e também situações vividas por outros ex-combatentes, em um processo que visa não somente reconstituir as lacunas nas lembranças do autor, mas também uma forma de expiação das atrocidades cometidas durante o conflito, especialmente os ataques no qual o exército de Israel tomou parte, em retaliação ao assassinato do líder libanês Bashir Gemayel.
E se a própria narrativa e contexto histórico já representam razões óbvias pra apreciar o filme, a questão da memória, do modo como nós mesmos podemos criar formas de alterar e acreditarmos ser parte de fatos dos quais não participamos é uma das coisas mais interessantes que essa ousada animação apresenta.
Confrontando o passado, especialmente pelos relatos de outros, muito do que criamos tentando amenizar culpas e sentimentos de reprovação quanto a nossas próprias escolhas e suas conseqüências, vai se desfazendo.
As palavras do psiquiatra de Folman ajudam a compreender porque ele não consegue lembrar, e auxiliam o mesmo a conseguir o que é provavelmente seu principal objetivo com o documentário: eximir-se da responsabilidade pelos massacres ocorridos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em 1982.
Mas, mesmo transmitindo a idéia de que tudo está apagado, devido às palavras do médico de Ari, a cena final funciona como uma granada no estômago, restituindo os olhos dos espectadores para a realidade, e lembrando a nós que os crimes de guerra sempre deixam vítimas, mesmo que ninguém queira assumir a culpa por eles.
Em sua hora e meia de projeção, “Vals Im Bashir” nos conduz em uma busca de redenção impossível, em que o protagonista vai tentar durante o filme inteiro criar uma mentira convincente o bastante para que ele possa voltar a dormir tranqüilo à noite.



A vida real não é tão maniqueísta quanto Hollywood e muitas das HQs de super-heróis americanos nos dizem.
Quem se considerar capaz, assista e repense seus conceitos de heróis.



Quanto vale: 


Valsa Com Bashir
(Vals Im Bashir)
Diretor: Ari Folman
Duração: 90 minutos
Ano de Produção: 2008
Gênero: Documentário/Guerra


segunda-feira, 13 de julho de 2009

O CONFRONTO 2 - Direto do set de filmagem

O projeto mais ousado, e segundo projeto mais demorado do Q Studius começa a tomar aspecto de filme, finalmente.
Após o estúdio exigir o retorno do elenco e equipe técnica ao set de filmagem, (sob a alegação de que haveria pouca ação no que já havia sido filmado), os trabalhos recomeçaram, ao mesmo tempo em que o processo de edição, trilha sonora, e efeitos especiais prossegue, já sendo questionado inclusive se o curta-metragem estará pronto a tempo da pré-estréia mundial.
Mesmo assim, o produtor executivo Marcel Jacques garante que a franquia será pelo menos uma trilogia, considerando que o primeiro filme obteve expressiva bilheteria no Youtube.
Em entrevista exclusiva para o ibaldomarcel.blogspot.com, os atores Guiga Hollweg, e Marcel Ibaldo comentaram sobre o enredo deste novo blocksbuster, a dificuldade de lidar com o diretor Ibaldo, e a participação especial do ator e apresentador Bício.


Blog do Ibaldo: depois de “O Confronto” ter superado todas as expectativas, muitos questionaram se haveria uma continuação, e mais importante, se ela seria capaz de expandir a trama do filme original. Como foi para o elenco e equipe lidar com a expectativa que surgiu tão repentinamente?
Guiga Hollweg: Passo.
Marcel Ibaldo: Acredito que o grande detalhe em questão era se haveria uma boa história a contar em um segundo filme. Era a minha única exigência para retornar a interpretar o personagem. Dessa vez com um orçamento bem mais generoso, obviamente o controle criativo do diretor iria diminuir sobre a obra, mas ao menos o roteiro que me foi entregue tinha todos os elementos que considero importantes em um projeto no qual trabalho: ação, originalidade, e um enredo imprevisível.
Blog do Ibaldo: mas ao mesmo tempo, há inúmeros boatos sobre o processo de filmagem. O que pode estar atrasando a produção a ponto de não ter sido disponibilizado nem ao menos um trailer?
Guiga Hollweg: primeiramente, o novo diretor que o estúdio contratou. Parece que ele e o estúdio não estão de acordo quanto ao objetivo final do filme. Devido a isso a gente teve que refilmar muita coisa, e acrescentar cenas de ação ainda mais perigosas. Isso sem mencionar que o diretor não acredita no uso de dublês, o que obriga o elenco ao risco, e, pra falar a verdade, já garantiu a ida de alguns da equipe para o pronto-socorro.
Marcel Ibaldo: sei lá, às vezes parece que a mudança na direção, a interferência do estúdio, e o próprio roteiro mais violento e amplo tornam este um projeto muito arriscado, mas também não é possível negar que esta é provavelmente uma das maiores produções de 2009.
Blog do Ibaldo: o enredo dessa nova obra promete muitas surpresas, dentre elas a participação do famoso apresentador Bício, do programa de auditório “Dê Sua Cara Ao Tapa”. Existe alguma possibilidade de que tudo isso afete a coerência do resultado final?
Marcel Ibaldo: é improvável que esse filme seja um fracasso, se é o que tu está querendo insinuar. Todo mundo sabe que seqüências de filmes de sucesso costumam render mais grana que os filmes que os precedem, então o que dificulta mesmo as coisas é ter que responder perguntas cretinas dos repórteres.
Guiga Hollweg: fazer o quê? O que o público quer ver é pancadaria. Talvez isso explique o sucesso de programas assumidamente violentos como o “Dê Sua Cara Ao Tapa”. Pelo menos no caso da franquia “O Confronto”, as cenas de ação tem uma criatividade única, e a trama é repleta de momentos dramáticos, suspense, revelações surpreendentes e diálogos memoráveis. Quem acha que não vai entender pode ir assistir novela.

“O Confronto 2: A Vingança” tem previsão de estréia para setembro de 2009.
Q Studius.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

TRANSFORMERS (2007) TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS (2009)


Por não ter tido oportunidade de assistir a primeira empreitada em live-action dos Transformers do modo adequado (no cinema, é claro), desisti de conhecer o resultado obtido com o movie de 2007.

Essa resolução permaneceu até semana passada, quando em decorrência do lançamento da seqüência (óbvia, devido ao sucesso comercial do primeiro filme) fui forçado a ver em DVD mesmo, e posteriormente, o novo longa-metragem já em cartaz.
Creio, no entanto, que isto não chegou a interferir de maneira relevante nas minhas impressões sobre o que vi.
Muito do que se observa nesses dois blockbusters já é antigo na carreira do diretor que conduziu as máquinas de combate automotoras à tela grande. Aliás, esse review poderia ser resumido em apenas uma frase: “são só mais uns filmes do Michael Bay”.
Pra quem ficou boiando e não percebeu o quanto essa frase elucida de maneira clara as características das adaptações cinematográficas em questão, eu explico.

Não são necessários muitos minutos de projeção pra notar os elementos que fazem dos trabalhos desse cineasta tão semelhantes entre si. Os dois episódios da franquia dos robôs oriundos do planeta Cybertron possuem as mesmas técnicas e recursos utilizados em excesso anteriormente, e ainda acumulam outros lastimáveis vícios do cinema Hollywoodiano.
Praticamente em todos os seus sucessos descartáveis, o diretor faz um uso obsessivo das gruas, o que mantém a câmera sempre girando, e dando a impressão que até a cena mais banal tem algo de dramático a transmitir, mesmo que a construção superficial da personalidade e do relacionamento entre os personagens ateste o contrário. Também estão sempre presentes os efeitos visuais absorvidos pós-Matrix, porém com uma câmera lenta a cada 5 minutos, o que talvez ajude a platéia a se manter interessada, ainda que os diálogos e a trama não tenham nada a dizer.
A fotografia se repete, as piadas ao estilo “Sessão da Tarde”, e os personagens estereotipados idem. Isso sem mencionar o que é facilmente evidenciado (especialmente) no filme de 2009, em que, não satisfeito em imitar outros filmes de ação, ele volta a reciclar as mesmas cenas de seus próprios filmes, culminando em algo no mínimo tedioso.
Mas, quem pode culpar Michael Bay? Ele tem que pagar o aluguel e enquanto o público se contentar com qualquer coisa cheia de efeitos digitais, explosões, e lutas intermináveis, ele vai continuar faturando uma grana alta, e isso sem nem ao menos ter que apelar para as desnecessárias criatividade, inteligência, ou coerência. 

E a propósito, com “Transformers: A Vingança dos Derrotados”, ele garantiu o início de um novo mercado lucrativo: a venda dos assustadores brinquedos “robôs eletrodomésticos do mal”.
Quanto à história, transita entre dois eixos. Um é uma comédia romântica adolescente entre o protagonista Shia Labouf e a mocinha Megan Fox. E o outro visa encontrar meios para que os robôs arranhem a lataria uns dos outros. 
Chega a tal ponto em que as únicas mudanças entre um filme e outro são o cenário das batalhas, o artefato lendário que vai salvar o dia, e a quantidade de robôs que vão colaborar pra tornar tudo ainda mais sem sentido. Ás vezes nem é possível diferenciar Autobots de Decepticons, já que parece ter faltado tempo pra customizar os coadjuvantes, e os poucos que se destacam o fazem por motivos lamentáveis. 

Talvez o mais notório seja o “Megazord” (isso mesmo. Um plágio dos Power Rangers) formado a partir de outros veículos, que funciona magistralmente como o capanga que em nenhum momento representa qualquer ameaça ou perigo. Ponto favorável ao movie de 2007, que por possuir uma menor quantidade de adversários robóticos se espancando não sofre desse problema, permitindo inclusive algum envolvimento e ação mais divertida, já que não se trata de apenas um monte de máquinas lutando sem distinção de quem é herói ou vilão na telona.
Ainda assim, ambos os filmes são uma boa sugestão pra quem gosta de barulho e efeitos especiais. 
E estes últimos provavelmente são a única coisa que explica o êxito da franquia nas bilheterias. O visual das máquinas de combate principais, e algumas cenas de ação são dignas de nota, mas é só isso. 


O que é uma pena, pois tudo indica que devido à renda já acumulada pelo segundo filme os robôs que outrora fizeram tanto sucesso nos desenhos animados provavelmente nunca terão uma adaptação decente para as telonas.
Hollywood tem tentado nos ensinar que é impossível fazer um bom filme de ação sem abusar da ignorância e estupidez, favorecidas pelas liberdades que a tecnologia permite.
Azar o nosso.


Quanto valem:
Tranformers
NEM meio ingresso.

Transformers: A Vingança dos Derrotados
NEM meio ingresso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

HQs - SUTIL DIVAGAÇÃO ACERCA DO TEMPO E ESPAÇO, ENVOLTA POR UMA CAPA COLORIDA COM DETALHES CARICATOS

Houve um tempo em que ir até uma banca comprar HQs era missão árdua e envolta em risco. O problema é que eu achava vergonhoso comprar as tais revistinhas, e nenhum dos meus amigos curtia ler aquelas histórias bestas e maniqueístas. Hoje eu reconheço: a maioria do que eu lia em quadrinhos era isso mesmo, tanto é que boa parte da “massa documental” acumulada por mim e meu irmão hoje ainda permanece em minhas estantes por mera satisfação de colecionador.

O senso crítico foi se moldando lentamente, assimilando novos interesses artísticos, associando o que eu lia com outras formas de entretenimento cultural disponíveis, como o cinema, o rock’n roll, ...tudo isso alterando o modo de ver as páginas cada vez menos coloridas das revistas. Aos poucos passei a perceber novas possibilidades no universo de narrativa em requadros.
Migrei dos comics americanos para os mangás japoneses, em busca de versões menos distantes da nossa realidade nos roteiros dos autores. Obviamente pode parecer que busquei nos quadrinhos errados o que almejava, mas o que me parecia plausível, na verdade, eram as construções das personalidades dos personagens, tão humanos e falíveis que poderiam realmente existir na realidade. Não havendo uma distinção tão clara entre mocinhos e bandidos, ficava mais difícil saber que rumo a história tomaria, ao mesmo tempo em que permitia uma comparação com a sociedade que me rodeava.
Um amigo meu comenta que tem dificuldade em identificar quem são os heróis e os vilões dos mangás. A pergunta é: no mundo real, é fácil identificá-los?
Nossas qualidades e defeitos nos tornam tanto dignos de aplausos e glórias, quanto de desprezo e repulsa, dependendo do ponto de vista observado pelos outros.
Quem são os criminosos: os traficantes no morro, ou os políticos que sustentam o status quo falho e segregacionista, de modo a preservar suas regalias, mesmo que às custas do sacrifício alheio? A arte que eu leio seria inútil e vazia se não refletisse ao menos um pouco disso.
A medida em que conheci novas maneiras de contar uma história, descobri que ao autor de uma HQ, de um livro, música, roteiro, ou filme, compete não apenas o poder de dar vida a algo imaginário, mas também de compartilhar sua própria releitura do mundo que o cerca. E é essa uma das razões que torna tudo isso tão interessante.


Cada página desenhada é resultado da soma de tudo que aprendi, de todos que conheço, e de tudo que acredito ser importante, transmitindo (espero) o máximo possível de significados, já que a leitura de uma boa obra só é completa quando permite a interação entre público e artista.
E, pra falar a verdade, reconhecer isso transforma a nona arte em algo ainda mais divertido.
Bem mais que revistas pra criança, eu garanto.
Até.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

DÊ SUA CARA AO TAPA - Q Studius

Pra quem não conhece, o Q Studius há tempos trabalha em um projeto televisivo denominado Dê Sua Cara Ao Tapa.

Naturalmente, surgido de algum momento em que a equipe criativa não tinha mais o que fazer, essa obra nada mais é que um programa de auditório semelhante a vários outros. Estão presentes elementos similares como calouros, a platéia, o apresentador, etc.
Porém, o grande diferencial está num detalhe: esse programa não tem vergonha de assumir a violência desenfreada que toma grande parte da sua duração.
O resultado é não apenas divertido, mas também uma ácida e hilária crítica aos meios de comunicação de massa, cada vez mais concentrados em nivelar por baixo a qualidade de sua programação, e difundir um pouco mais o seu efeito alienante em troca de alguns neurônios dos espectadores com preguiça de mudar o canal.

O vídeo que está acessível na internet é na verdade o trailer da produção criada pela mente bisonha do cartunista, roteirista e apresentador Bício.

O link é esse:

http://www.youtube.com/watch?v=phDXbDShcvI

Em breve os primeiros episódios estarão no ar.
Aguardemos.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O CONFRONTO - Q STUDIUS



Chega às telas de todos os PCs do globo terrestre, o novo filme do famigerado conglomerado cinematográfico Q STUDIUS!!!
Trata-se de uma obra densa, repleta de violência, em uma história de vingança que culmina em um dos combates épicos mais extraordinários dos últimos 36 anos.
O enredo se passa em uma sociedade dominada pela repressão política e militarismo, em que a vitória no combate ou a morte são as únicas alternativas para dois senhores feudais do novo século, que lutam em busca da verdade.
É fato, no entanto, que tudo isso pode ficar um pouco subliminar em meio à edição final, mais voltada à ação. Mas pra bom entendedor fica bem claro (ou não).
Enfim, curtam o filme, que devido ao sucesso estrondoso já tem continuação garantida, em processo de filmagem nesse instante.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O CONFRONTO - Q STUDIUS

Chega às telas de todos os PCs do globo terrestre o novo filme inédito do famigerado conglomerado cinematográfico Q Studius!!!
Trata-se de uma obra repleta de violência, em uma história de vingança que culmina em um dos combates épicos mais extraordinários dos últimos 36 anos.
O enredo se passa em uma sociedade dominada pela repressão política e militarismo, em que a vitória no combate ou a morte são as únicas alternativas para dois senhores feudais do novo século, que lutam em busca da verdade.
É fato, porém, que tudo isso pode ficar um pouco subliminar em meio à edição final, mais voltada à ação. Mas pra bom entendedor fica bem claro.
Enfim, curtam o filme, que devido ao sucesso estrondoso já tem continuação garantida, em processo de filmagem nesse instante.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ANTI-HERÓI AMERICANO (2003)

Às vezes uma grande obra pode surgir de algo aparentemente despretensioso e desinteressante. Esse é o caso do filme “American Esplendor”, chamado no Brasil de “Anti-herói Americano”.


Essa foi uma das produções cinematográficas que foram exibidas ano passado no Cineclube Quadrinhos S.A., como parte do ciclo “Das Páginas Às Telas”, e por eu ser parte da organização da referida ação cineclubística, acabei assistindo o que pra minha surpresa se tornou o número 1 da minha lista de adaptações de quadrinhos pro cinema.
A história é a seguinte: o arquivista de um hospital, Harvey Pekar, após conhecer um futuro grande artista das HQs independentes chamado Robert Crumb (autor de “Fritz, The Cat”), decide escrever roteiros para quadrinhos inspirados em suas desventuras peculiares, tanto no emprego quanto na sua conturbada relação com amigos e com sua esposa. O retrato que ele faz é tão simples quanto envolvente, e torna-se impossível não se identificar com o cara que faz críticas de discos de jazz nas horas vagas, e trabalha num arquivo.


Pra falar a verdade, só essa combinação inusitada de “história de um profissional de arquivos, que escreve roteiros de HQs underground” é por si só motivo suficiente pra assistir o longa-metragem, mas eu não recomendo assisti-lo apenas por isso.
A base para o roteiro está nas HQs “American Splendor” e em “Our Year With Cancer” (esta última escrita em parceria com a esposa do protagonista, interpretada por Hope Davis), resultando em algo que poderia ser definido como um “ficcio-drama”.
No entanto, a narrativa não fica apenas na mera transposição desse material para outro formato. Consegue ir mais longe, mostrando o verdadeiro Harvey em cena, e levando o real a se confundir com o personagem, questionando inclusive sua própria existência. Seria o autor dos roteiros na verdade uma versão bidimensional de si mesmo, desenhado nas páginas das revistas escritas por outra pessoa? Falando assim pode até parecer muito complicado, porém assistindo o resultado do trabalho dos diretores Robert Pulcini e Shari Springer Berman, fica claro até demais.


Outro fator determinante para o êxito da adaptação é o ótimo elenco, em especial a atuação inspiradíssima de Paul Giamati, capaz de ser Harvey Pekar, mesmo que o Harvey “original” esteja também presente interpretando a si mesmo.
Aliás, obviamente não foram à toa os prêmios no Festival de Cannes e no Oscar.
A vida rotineira é complexa, afirma Harvey, e talvez pareça que a vida dele é realmente mais estranha e excêntrica que a do resto de nós, mas será mesmo?


A diferença da realidade retratada na tela em relação à nossa está no modo como ele consegue ver o próprio dia-a-dia, atribuindo valor e um humor ácido e peculiar ao que há de frustrante em seu cotidiano.
Na verdade, a vida de todo mundo poderia virar um bom roteiro.
E mesmo que nem todos nós sejamos arquivistas, ou artistas de quadrinhos, e nossas existências diárias não virem roteiro de cinema, uma coisa temos que admitir: com certeza, somos todos anti-heróis.



Quanto vale:


Anti-Herói Americano
(American Splendor)
Direção: Robert Pulcini e Shari Springer Berman
Duração: 101 minutos
Ano de produção: 2003
Gênero: Drama




terça-feira, 26 de maio de 2009

O JUSTICEIRO: EM ZONA DE GUERRA (2008)

Continuando com minha árdua missão de falar sobre todos os filmes de HQs que eu conseguir, acrescento mais alguns à minha lista.
Nos meus últimos posts a respeito de cinema, o assunto foi mais voltado à expectativa relacionada com a estréia de alguns filmes. O que dá título a esta postagem é mais um que eu aguardava pra assistir. As fotos e detalhes que eu tinha visto mostravam que pelo menos dessa vez o personagem da camisa de caveira teria uma adaptação um pouco mais séria.Pra quem não conhece a história pregressa na telona desse combatente do crime pouco convencional, esclareço-vos.
O Justiceiro teve uma versão interpretada pelo astro-de-filmes-de-ação-da-sessão-da-tarde-da-década-passada, Dolph Lundgren. O longa metragem de 1989 era apenas mais uma história sobre mais um dos personagens genéricos interpretados pelo ator, porém atendendo pela alcunha Frank Castle (o "nome civil" do Justiceiro).
A segunda tentativa ocorreu quando a Marvel Comics viu o vingativo Castle virar live-action maleporcamente atuado por Tomas Jane, e sob a direção do novato (e amador) Jonathan Hensleigh, em 2004. Dessa vez com mais referências aos quadrinhos, porém com um elenco lamentável, e efeitos especiais muito inferiores aos de estúdios modernos como o Q Studios, o diretor parece ter acertado apenas na contratação de John Travolta para o papel do vilão Howard Saint, o que sempre garante um aumento considerável na renda obtida pelo filme nas bilheterias. Como resultado, o movie ficou um trash B, que cometeu a ousadia de se levar a sério.
Só pra não dizer que o filme não tem nada positivo, a luta contra o capanga russo é impagável! Muito engraçada!
Com duas adaptações fracassadas, quem iria imaginar que o Frank voltaria às telas?
Bem, isso ocorreu em 2008, quando a diretora Lexi Alexander (a mesma de Hooligans, 2005) após inúmeros desentendimentos com o estúdio entregou o filme pronto para ocupar o seu espaço no lucrativo mercado do cinema quadrinhístico.
No entanto, as coisas não rolaram como esperado.
Uma bilheteria pífia (cerca de $4 milhões no primeiro fim de semana) mostrou que o público não curtiu, ou não estava nem aí pra essa nova investida do personagem em outra mídia. Ao saber disso, qualquer um pensaria que o filme é ainda pior que os anteriores. Mas não se engane.
Logo nos primeiros minutos fica clara uma coisa: "O Justiceiro: Em Zona de Guerra" (Punisher: War Zone) conseguiu ao menos reunir uma equipe competente. A direção de fotografia, os efeitos especiais e toda a construção estética funcionam suficientemente bem. Isso somado à adequada atuação de Ray Stevenson (da série Roma), sem dúvidas o melhor intérprete do vigilante da Marvel nos cinemas (não que a concorrência fosse lá essas coisas...).
O grande defeito surge quando aparecem em cena os vilões, cômicos e caricatos ao extremo, e no caso de um longa praticamente sem história, a ação tem que compensar desencadeando um final absurdamente divertido e interessante, o que não acontece.
Mas falando assim, talvez eu esteja desmerecendo o esforço da diretora em criar uma atmosfera próxima e fiel à dos quadrinhos, e algumas das cenas de ação mais violentas do cinema de HQs. No fim das contas, o destaque fica exatamente nesse aspecto, mostrando finalmente o Justiceiro de modo a refletir sua perturbação emocional em suas ações.
Ainda que não seja um grande filme, pode agradar os fãs pela sangria orquestrada pelo "herói" sociopata, em meio a tiroteios, desmembramentos e explosões cranianas. O resultado direto disso foi uma censura R, o que limitou seu público e diminuiu consideravelmente sua bilheteria.
Enfim, pra quem curte cinema de ação, "O Justiceiro: Zona de Guerra" até que é uma boa escolha. Pra quem curte o personagem nas revistas em quadrinhos, esse novo filme apresenta uma notória melhora em relação aos fiascos anteriores, mas ainda é pouco.
E provavelmente será o último.


Quanto vale: meio ingresso.

Justiceiro:Em Zona de Guerra
(Punisher: War Zone)
Direção: Lexi Alexander
Duração: 103 minutos
Ano de produção: 2008
Gênero: Ação




quarta-feira, 20 de maio de 2009

TOP 5 - FILMES DE 2008 QUE NÃO VALERAM O INGRESSO

Essa é uma postagem que chega com bastante atraso, porém, apesar disso, achei que seria uma imensurável perda para a humanidade se eu não compartilhasse as informações a seguir com o meu seleto público. Senhoras e senhores! O Oscar NÃO vai para...


1 - HANCOCK - Alguém deve ter dito: "O que o público quer ver é mais algum cara com poderes, interpretado por algum ator famoso. A história? Não faz diferença."Depois, venderam a idéia do longa-metragem como algo revolucionário. Mas convenhamos, como é que um filme de super-herói visando apresentar e explicar sua origem em apenas 1h e 20min poderia ser bom? Não se deixe enganar pelo título auto-imposto "super-herói realista". É só mais um filme de ação do Will Smith. E esse realmente é muito ruim!


2 - O PROCURADO - O filme é somente uma soma de plágios, "referências", e "homenagens" a outros filmes. Dos que eu me lembro: Matrix, Exterminador do Futuro 2, Homem-Aranha, Star Wars, entre outros. Tudo isso na vã tentativa de compensar a falta de atividade cerebral do diretor. Não que eu não curta efeitos especiais (muito pelo contrário), o problema é quando eles não existem para somar à história, tornando-se assim redundantes e monótonos. O pior é que isso é moda em Hollywood...

3 - RAMBO IV - imagine um filme de guerra com a violência indescritível do mangá "Éden". Agora imagine isso sem roteiro. É mais lamentável ainda porque "Rocky Balboa" (2006) é um bom filme e gerou toda uma expectativa sobre a nova missão do personagem-ícone do Stallone. Foi com certeza a hora e meia mais longa do ano pra mim.



4 - STAR WARS, A GUERRA DOS CLONES - é de se perguntar: "será que o George Lucas já não tem dinheiro o bastante?". O cara já garantiu que os filhos, netos e bisnetos nunca mais precisem trabalhar na vida, então por que alguém com tanto dinheiro precisaria denegrir ainda mais a mitologia da saga que o elevou ao panteão do cinema pop? Só pra conseguir mais uns trocados dos seus fãs? Como se não bastasse ser citado no número 4 da minha lista, ele também é diretamente responsável pelo número 5...


5 - INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL - não é que o filme não tenha nada de interessante, mas foi uma espera longa demais, e o resultado foi mais um blockbuster esquecível entre os inúmeros que Hollywood produz todo ano. Talvez os fãs tenham ficado satisfeitos em rever o mesmo elenco, os mesmos personagens e as referências, porém não estou aqui falando de saudosismo infantil. Transformar o maior herói do cinema em uma "franquiazinha" caça-níqueis, sem criatividade e que rouba clichês de filminhos adolescentes é inaceitável. É a "meca do cinema" provando mais uma vez que não perdoa nem os clássicos...