
A compensação é a possibilidade de ser mencionado para sempre como “indicado ao Oscar”, ou “vencedor do prêmio em Cannes”, etc.
Mas “Vals Im Bashir” consegue agregar elementos a essa “receita”.

Fazendo uso da técnica de animação denominada rotoscopia (mesma empregada no “Homem Duplo”, de 2006), o efeito obtido se assemelha às vezes a um delírio, cadenciado e chocante, o que pode ser evidenciado na cena inicial, e na seqüência dos soldados próximos à praia. O ritmo é alternado entre as cenas mais dinâmicas, e a fala dos entrevistados com passagens em flashback, mostrando o que se recordam do período em que combateram. Infelizmente, o resultado não é satisfatório ao longo de toda a projeção, especialmente nos momentos mais estáticos, em que a movimentação das pessoas retratadas não se mostra tão fluída, devolvendo o espectador à sensação de estar vendo apenas uma obra de ficção.
E se a própria narrativa e contexto histórico já representam razões óbvias pra apreciar o filme, a questão da memória, do modo como nós mesmos podemos criar formas de alterar e acreditarmos ser parte de fatos dos quais não participamos é uma das coisas mais interessantes que essa ousada animação apresenta.
Confrontando o passado, especialmente pelos relatos de outros, muito do que criamos tentando amenizar culpas e sentimentos de reprovação quanto a nossas próprias escolhas e suas conseqüências, vai se desfazendo. 
As palavras do psiquiatra de Folman ajudam a compreender porque ele não consegue lembrar, e auxiliam o mesmo a conseguir o que é provavelmente seu principal objetivo com o documentário: eximir-se da responsabilidade pelos massacres ocorridos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em 1982.
Mas, mesmo transmitindo a idéia de que tudo está apagado, devido às palavras do médico de Ari, a cena final funciona como uma granada no estômago, restituindo os olhos dos espectadores para a realidade, e lembrando a nós que os crimes de guerra sempre deixam vítimas, mesmo que ninguém queira assumir a culpa por eles.
Em sua hora e meia de projeção, “Vals Im Bashir” nos conduz em uma busca de redenção impossível, em que o protagonista vai tentar durante o filme inteiro criar uma mentira convincente o bastante para que ele possa voltar a dormir tranqüilo à noite.

As palavras do psiquiatra de Folman ajudam a compreender porque ele não consegue lembrar, e auxiliam o mesmo a conseguir o que é provavelmente seu principal objetivo com o documentário: eximir-se da responsabilidade pelos massacres ocorridos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em 1982.
Mas, mesmo transmitindo a idéia de que tudo está apagado, devido às palavras do médico de Ari, a cena final funciona como uma granada no estômago, restituindo os olhos dos espectadores para a realidade, e lembrando a nós que os crimes de guerra sempre deixam vítimas, mesmo que ninguém queira assumir a culpa por eles.
Em sua hora e meia de projeção, “Vals Im Bashir” nos conduz em uma busca de redenção impossível, em que o protagonista vai tentar durante o filme inteiro criar uma mentira convincente o bastante para que ele possa voltar a dormir tranqüilo à noite.
A vida real não é tão maniqueísta quanto Hollywood e muitas das HQs de super-heróis americanos nos dizem.
Quem se considerar capaz, assista e repense seus conceitos de heróis.
Quem se considerar capaz, assista e repense seus conceitos de heróis.
Quanto vale:
Valsa Com Bashir
(Vals Im Bashir)
Diretor: Ari Folman
Duração: 90 minutos
Ano de Produção: 2008
Gênero: Documentário/Guerra