Realmente, a arte é surpreendente.
Há certas vezes em que obras de plena simplicidade e despretensão conseguem de algum modo um resultado cativante e envolvente, contrariando as sempre existentes expectativas negativas com relação a esses trabalhos.
A história do cinema está repleta de exemplos disso, e felizmente tive oportunidade de acompanhar em uma sessão especial para um público seleto, na telona, em alto e bom som mais um exemplo da tal simplicidade bem empregada na 7º Arte.
Falando assim deve até parecer brincadeira, mas o que o público pôde conferir essa semana, dias 22 e 23 de outubro, foi um raro e singular filme, no qual o empenho da equipe trouxe novas alternativas de abordagem em um universo tradicional e um tanto conservador como é a área Arquivística.

Mas basta buscar uma análise um pouco mais aprofundada para perceber que esse é um filme com algo a dizer.
As cenas são trabalhadas de modo a transmitir uma mensagem que ao mesmo tempo é um tanto evidente e subjetiva, óbvia e discutível.
Ao longo dos vários momentos que se passam no tempo da projeção, a narrativa construída reflete o estado emocional do personagem principal no conjunto dos elementos presentes no filme, tanto na movimentação de câmera e direção de arte criativa idealizada por Marcel Jacques, quanto na trilha sonora de suspense e tensão crescente composta por Marcello Bittencourt, e também na direção de fotografia inspirada de Junior Moreira.
A atuação com ares de improviso garante autenticidade ao que é transmitido, aliando-se ao roteiro repleto de situações típicas que os arquivistas e acadêmicos do curso conhecem muito bem.
Dificilmente alguém que assistir com atenção não irá encontrar pontos subliminares a serem debatidos.
E são todos esses aspectos que tornam uma sessão de cinema de 13 minutos como essa em algo rico e interessante.
Obviamente que é apenas minha opinião.
No entanto, quem duvida disso é porque não esteve nas sessões de exibição do filme, quando uma platéia, a princípio desconfiada quanto à qualidade do que seria apresentado, aplaudiu com empolgação em um gesto de aprovação e surpresa diante de um trabalho de resultado tão surpreendente.
O que começou como uma brincadeira agora tem de ser confirmado: "Esse é o melhor filme de Arquivologia de todos os tempos".
E é com certeza melhor do que muita coisa que está em cartaz nos cinemas.
Que seja apenas uma amostra do que podemos esperar dos próximos trabalhos do Q Studius, a respeito dos quais o Blog do Ibaldo estará sempre trazendo novas informações.
Aguardemos.