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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ZUMBILÂNDIA (2010)



Por alguma razão desconhecida os zumbis estão na moda. 
Quer dizer, eu até deduzo as razões pelas quais eles estão em alta no cinema, HQs, literatura, etc.
Em uma época de vampiros enfadonhos e assustadoramente sem graça, um pouco de atitude não faria mal, e nada melhor do que um holocausto zumbi pra recolocar as coisas nos eixos.
Dentre as criaturas terrorísticas, os zumbis sempre me pareceram os que propiciavam histórias mais interessantes, mesmo que na maioria das vezes os autores optassem por caricaturizar esse subgênero.
Recentemente, com a iniciativa de resgatar esses seres do limbo da cultura pop, a temática acabou obtendo contornos mais sérios, sendo isso exemplificado especialmente por “Extermínio” (28 Days Later, 2002) e “The Walking Dead” (tanto a HQ, quanto a serie de 2010). Um dos poucos exemplos recentes mencionáveis, o qual apresenta a história de um modo mais humorado foi em “Todo mundo quase morto” (Shaun Of The Dead, 2004).
A proposta deste Zumbilândia é particularmente próxima desse último exemplo.
O seu início é uma explosão de estilo e bom humor.

O protagonista Columbus descreve o seu curioso manual de conduta frente ao quadro de pós-apocalipse em que vão transcorrer os cerca de 90 minutos do filme.
A receita mesclando comédia, roteiro rápido e esperto, mais a fluidez das cenas sempre com a interação entre os diálogos e a videoclíptica edição de vídeo, tornam extremamente fácil acompanhar a história do nerd que faz o que se espera de alguém que tenta sobreviver em meio a um mundo de acéfalos canibais.
Divertido, é fato, mas nada original.

Porém, se não tenta inventar algo novo, o diretor Ruben Fleischer possui uma série de cartas na manga que visam equilibrar as coisas.
O tal personagem principal é retrato de sua época.
Um cara sem amigos, e que vive trancado em casa, o que não é distante da facilidade de se relacionar via web e da consequente escolha de evitar conhecer seres humanos de maneira presencial.

O seu contraponto é Tallahasse, interpretado com a competente canastrice que se exige pelo veterano Woody Harrelson. Enquanto Columbia é um adolescente “normal”, a excentricidade de Talahasse é reflexo do contexto. A infestação zumbi e sua destruição serviram de catalisador, e transformaram-no em alguém sem nada a perder, e não tendo nada a perder, ele decide avacalhar com o que for que estiver no caminho.
Essa forma quase juvenil de contar o enredo escolhida pelo diretor pode ter dois efeitos:

1 – o filme fica despretensioso demais, e esquecível pelo público, devido à banalização do tema.

2 – a plateia entende que essa releitura das histórias de zumbis foi o recurso escolhido pelo cineasta para relatar o processo de amadurecimento de seus protagonistas, que mesmo nessa situação limite parecem mais preocupados com a simplicidade das coisas presentes no cotidiano de qualquer um, mesmo que a raça humana ainda esteja à beira da extinção.

Esse aspecto foi na verdade o que me pareceu mais interessante.
Não necessariamente o longa-metragem precisaria estar ambientado em um território repleto de mortos-vivos. Poderia ser qualquer subúrbio, de qualquer época, e os resultados no que se refere ao desenvolvimento dos personagens poderiam ser praticamente os mesmos.

Ainda assim, por ser uma trama envolvendo zumbis, é uma pena que o desafio dos sobreviventes seja algo tão modesto. Não parece realmente complicado ficar vivo quando derrotar os zumbis é apresentado meramente que nem jogar um videogame no modo de dificuldade easy.
Mesmo assim, Zombieland consegue ser diversão certeira e descompromissada, com um ótimo timing de humor que há tempos não era destinado aos monstrengos trash que devoram cérebros.


E se alguém acha que realizar um filme de zumbis de simples entretenimento que valha a pena assistir é trabalho fácil, vale lembrar que isso é algo que o próprio George Romero, o mais importante diretor dessas produções, não consegue desde épocas que eu nem lembro.
Desse modo, ter conseguido isso é o que faz com que Zombieland, apesar de suas limitações, seja um filme de terror engraçado que não assusta ninguém, e ainda assim muito legal de assistir.

Quanto vale: um ingresso.

Zombieland
(Zombieland)
Diretor: Ruben Fleischer
Duração: 88 minutos
Ano de produção: 2009
Gênero: Ação/Comédia

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